Leva-me daqui até que possa voltar sem erros. É aproveitar agora, que ninguém dá pela minha falta, que ninguém me quer ver. Agora que todos estão distraídos e que posso sair de fininho, levando uma fatia de bolo no bolso, embrulhada em guardanapos de festa e ainda com restos de cera derretida. Leva-me e vamos ausentar-nos por tempo indefinido, levando apenas uma caneta, para escrever os postais dos sítios por onde vamos parando. Não te esqueças apenas da saliva para os selos, importante para não se esquecerem de nós. Não precisamos de malas, nem roupa, nem cobertores. Vamos... e depois voltaremos um dia, cheios de recordações, com baús velhos para guardá-las.
terça-feira, 13 de setembro de 2011
quinta-feira, 7 de julho de 2011
meia-noite
Para que me pegues ao colo e o mar seja o último sítio frio que sinta. Que as mãos não fujam mais do seu destino e tudo se adorne de algodão doce.
quarta-feira, 6 de julho de 2011
marmelada com queijo
pois que a ausência não seja tanta, que a distância não nos separe, que cada vez que apetecer um sorriso e um beijo, te possa. não há nada a deitar para trás das costas, só há céus construídos com nuvens flamejantes da cor do fogo que arde ininterruptamente. há que apertar quando apetece, ir quando é tempo e dormir só nas horas vagas, entre nós. espero que estejas aqui amanhã, que não tenha que te deixar ir na maré e que seja dia de ficar.
sexta-feira, 17 de junho de 2011
pequenos contos de cabeceira
Soube a história de uma menina que gostava de molhar os pés em água fria, sempre no pico do Inverno. Ouvi a história com atenção, através dos ouvidos de outra pessoa. Não era a mim que estava a ser contada, mas não pude evitar de me tornar numa pequena atenta receptora de tal conto.
A tal menina gostava de longo passeios descalços na areia fria de Dezembro, de criar pegadas que rapidamente seriam apagadas. O seu sorriso avivava-se com as vagas crescentes do mar. Quanto maior a onda, mais passos rápidos se apagavam da areia. O seu momento preferido era quando a onda ganhava, quando os seus passos não eram tão rápidos que conseguisse fugir e quando acabava por molhar os pés, os tornozelos e até as calças, arregaçadas até ao joelho. Era aí uma menina feliz, com as suas manchas de sal sem mal.
A tal menina gostava de longo passeios descalços na areia fria de Dezembro, de criar pegadas que rapidamente seriam apagadas. O seu sorriso avivava-se com as vagas crescentes do mar. Quanto maior a onda, mais passos rápidos se apagavam da areia. O seu momento preferido era quando a onda ganhava, quando os seus passos não eram tão rápidos que conseguisse fugir e quando acabava por molhar os pés, os tornozelos e até as calças, arregaçadas até ao joelho. Era aí uma menina feliz, com as suas manchas de sal sem mal.
quarta-feira, 8 de junho de 2011
avelã-pimenta
Voltámos, regressados de dores mais profundas do que as palavras podem exprimir, da impossibilidade de sermos felizes. Encontrámos dois livros de auto-ajuda, cinco workshops de curas espirituais, duas centenas de dias de escuridão porque as janelas estavam fechadas, tantos e tantos desenhos macabros em costas arrefecidas pelo vento e pensámos que, finalmente, estava na altura de escapar da estupidez das dores de peito e enterrá-las num pocinho radiactivo mas isolado, para que crescessem e rebentassem sozinhas. Morte sangrenta a essas estúpidas causadoras de corações dilacerados, esmaguemo-las sem pena, concentrados apenas no momento em que não mais irão ditar sentimentos. Adeus-adeus!
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