Voltámos, regressados de dores mais profundas do que as palavras podem exprimir, da impossibilidade de sermos felizes. Encontrámos dois livros de auto-ajuda, cinco workshops de curas espirituais, duas centenas de dias de escuridão porque as janelas estavam fechadas, tantos e tantos desenhos macabros em costas arrefecidas pelo vento e pensámos que, finalmente, estava na altura de escapar da estupidez das dores de peito e enterrá-las num pocinho radiactivo mas isolado, para que crescessem e rebentassem sozinhas. Morte sangrenta a essas estúpidas causadoras de corações dilacerados, esmaguemo-las sem pena, concentrados apenas no momento em que não mais irão ditar sentimentos. Adeus-adeus!
quarta-feira, 8 de junho de 2011
smitten
Que bonitas tardes de sol, apenas pés na areia e mar a salgar os ombros. eram os pequenos sonhos de pequenas pessoas, todas residentes efectivas da sua simplicidade. Todas elas contentes por viverem no presente e na fácil ânsia de dar uma corridinha para apanhar a melhor onda. Só espero que não lhes chova em cima, que não lhes agitem o mar, que não se levante um vento digno de mudar dunas do deserto ou tapar aviões caídos entre elas. Eu só espero que a areia seja sempre branca, as toalhas às riscas, o chapéu de sol, o maior da praia e a praia a maior do mundo. É só um desejinho simples.
terça-feira, 12 de abril de 2011
quinta-feira, 13 de janeiro de 2011
o mindinho já não é menino.
esta é uma história de amor sobre um dedo mordido. o dedo conheceu vários anos de indecisão amorosa antes de chegar à manhã de hoje. escreveu muito, sublinhou muito, tocou muito e seleccionou muita música. fez tantas e muitas coisas que os dedos fazem, sem que se destaquem dos outros. este dedo cresceu, superou as dores implicitas a este processo e quando chegou à sua altura de adulto, descobriu que não gostava muito de anéis nem da gordura da galinha. descobriu também que o prazer de estar coberto por chocolate e massa de bolos, se mantinha e que era muito melhor que qualquer colher ou espátula a fazê-lo. este dedo foi à escola como os outros, fez ginástica como os outros. ajudou a aprender a ler, escreveu com giz, fez parte do quadro de honra e assistiu aos vários entorses do seu amigo tornozelo. deu corda ao relógio e atou os atacadores, muitas e muitas vezes. tantas que o faz de olhos fechados. foi sempre um belo dedo indicador, com uma grande tendência para a crítica e reflexos rápidos. este dedo aprendeu a conduzir e tomou-lhe o gosto. mais tarde, entrou para a universidade e fez mais amigos dedos. este dedo não tinha nome próprio, apenas comum e cresceu e fez-se dedo adulto como tal.
mas a história deste dedo não se fez diferente até hoje de manhã, em que o pequeno dedinho, já de si um dedo adulto, com idade para beber e ser preso, sofreu um acidente na sua vida pacata de dedo amigo de pé que sofre entorses. quando este momento chegou, este dedo viu-se impávido, deleitado, incrédulo. este dedo viu-se mais próximo dos seus irmãos dedos e gritou o mais alto que conseguiu...
mas a história deste dedo não se fez diferente até hoje de manhã, em que o pequeno dedinho, já de si um dedo adulto, com idade para beber e ser preso, sofreu um acidente na sua vida pacata de dedo amigo de pé que sofre entorses. quando este momento chegou, este dedo viu-se impávido, deleitado, incrédulo. este dedo viu-se mais próximo dos seus irmãos dedos e gritou o mais alto que conseguiu...
(esta história continuará como muitas outras, mantendo-se fantasma vivo nas linhas deste blog de histórias semi-reais e semi-fantasiadas... até lá.)
quarta-feira, 5 de janeiro de 2011
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