segunda-feira, 11 de outubro de 2010

lápis de cera em quadros de giz

a intenção de te escrever, arrasta-se há mto mto tempo. tenho-me perdido nos dias e esqueço-me das palavras e dos pensamentos quando pego numa caneta. lembro-me de ti e do que tenho para te dar, quando as mãos estão ocupadas e os outros sentidos distraídos. são palavras importantes, estas palavras que tenho para ti mas esqueço-as e perco-as na beleza do momento em que as criei. mais tarde, surgem-me novas palavras, com outra música e com tanto outro encanto mas também estas, se perdem nas estradas, ficam paradas nos semáforos e perdem o comboio. mas eu não te perco a ti. tenho-te aqui, escrito com a tinta invisivel que me sai dos dedos e escreve palavras a vermelho na pele.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

que dias tão cheios




às vezes o tempo passa e não damos por isso. apercebemo-nos que há dias novos e dias velhos quando olhamos para as datas escritas por trás das fotografias que estão presas na parede e nos espelhos. os dias velhos levantam os dias novos, sorrisos de hoje e sorrisos de ontem. os dias novos crescem e sabem a fins de dia com os pés na areia e brisa quente que sobe do mar. não há dias perdidos, apenas horas que passam muito rápido, vidas que correm sem que haja um travão que as suspenda. cada dia é tão cheio como o anterior e tão cheio como o seguinte.

terça-feira, 20 de julho de 2010

trampolim.


são sempre melhores os dias em que a cabeça fica de fora. em que os reflexos se fazem desancorados do pensamento inteligente e em que saltar implica apenas sentir borboletas na barriga, sem queda.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

nada acontece por aqui, que não aconteça também aí.

e é agora que acordam os leões.
os dramas das bestas despertam com a claridade dos dias e vemos os seus olhos raivosos, sedentos de sangue, dentes com sorriso de fome sarcástica. há uma migração lenta e calculada, nada movida a paixões. o tempo é medido, a distância percorrida com passos de caçador experiente. ninguém escapa. rolam cabeças, caem corpos, sobe o pó no ar. todos os passos se tornam rápidos, apressados, sente-se a pulsação rápida e sofrida, a ansiedade da fuga e a ansiedade da caça, o desespero dos que não conseguem fugir e a alegria fria dos que os conseguem derrubar. quando toda a terra desce sobre si mesma, de novo. após toda a luta, poucos sobram naquele lugar repleto de silêncio assustado e cheiro a tristeza. quem sobra, sobra de espírito quebrado e com planos de fugir para outro vale. onde se escondem outras fugas, outras lutas e mais perdas.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

that is why I hold you near.

baixei o som aos hinos das noites mal dormidas por arrebatamento errado do coração, baixei a arma que tinha apontada um bocadinho mais à esquerda do centro do peito, colei os pedacinhos de unhas roídas e espantei as asas dos morcegos que me faziam sombra.