há histórias de Amor assim, que começam com partidas.
domingo, 20 de setembro de 2009
sobre pés frios em fins de tarde de calor*
a pressa com que ela mergulhou naquele rio foi o que a levou a morrer nele. não houve momento de hesitação, teve a certeza que era assim que tinha de ser, era a decisão que tinha de tomar e mergulhou. no fundo do rio ou dela, algo se partiu e nunca mais fechou os olhos para respirar. agora, vive a boiar num rio sem marés, sem nunca nunca pestanejar perante as pedras, respirando água doce e fazendo amizades com os peixes que passam. é inevitável deixar de olhar em volta e ver se deixou alguém para trás mas parece que não, que ninguém a acompanhou naquele passeio de fim de dia que a levou a morrer ali. ou talvez, a tenham esperado na outra margem, onde nunca apareceu e cansaram-se de esperar. uma outra vida que seguiu, que pestaneja e que não se quebrou com a dela. mas essas mãos nunca sentiram de novo as mãos dela e esses olhos perderam os pequenos momentinhos em que os dela já não pestanejam. e já não faz mal porque tudo seguiu com a corrente, ela sem pestanejar e ele sem existir.
tenho os pensamentos do avesso
estou deitada de costas de pernas contra a parede e cabeça a cair da cama
o tecto é o chão e as paredes bem podiam estar tingidas de cor de rosa que eu não daria pela diferença
fiquei alheia a tudo o que me rodeia quando desci aquelas escadas e o teu olhar se cruzou com o meu
acho que não poderia deixar de mentir-te e omitir-te tudo isto
vejo agora que não faz diferença nenhuma, posso mentir-te ou dizer-te a verdade
mas tu continuas parado no fim da escadas, a segurar a porta, à espera que eu passe,
que te cumprimente, que te beije, que te agradeça a espera e te faça seguir-me em silêncio.
estou deitada de costas de pernas contra a parede e cabeça a cair da cama
o tecto é o chão e as paredes bem podiam estar tingidas de cor de rosa que eu não daria pela diferença
fiquei alheia a tudo o que me rodeia quando desci aquelas escadas e o teu olhar se cruzou com o meu
acho que não poderia deixar de mentir-te e omitir-te tudo isto
vejo agora que não faz diferença nenhuma, posso mentir-te ou dizer-te a verdade
mas tu continuas parado no fim da escadas, a segurar a porta, à espera que eu passe,
que te cumprimente, que te beije, que te agradeça a espera e te faça seguir-me em silêncio.
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