sábado, 12 de novembro de 2011

Good old days


o meu cão é um cão tubo

Hoje, sua excelência desvairada, o cão Alfredo, foi sugado para um tubo que faz o escoamento da água de um lado para o outro de um açude. O acontecimento deu-se pela tarde, sob o olhar alarmado da família, mas debaixo de uma descontracção heróica do canídeo, que carregou consigo em todo o percurso subaquático o pauzinho que o levou ao local em questão. Quando atingiu o extremo oposto do tubo, surgiu de costas, ostentando o tal pau na boca.
Saiu ileso e ladrando. Haja saúde para os rafeiros dos dias de hoje!

10 julho 2008
(adaptações de histórias de vida)

terça-feira, 13 de setembro de 2011

ao fim da tarde, ninguém repara que vamos descalços

Leva-me daqui até que possa voltar sem erros. É aproveitar agora, que ninguém dá pela minha falta, que ninguém me quer ver. Agora que todos estão distraídos e que posso sair de fininho, levando uma fatia de bolo no bolso, embrulhada em guardanapos de festa e ainda com restos de cera derretida. Leva-me e vamos ausentar-nos por tempo indefinido, levando apenas uma caneta, para escrever os postais dos sítios por onde vamos parando. Não te esqueças apenas da saliva para os selos, importante para não se esquecerem de nós. Não precisamos de malas, nem roupa, nem cobertores. Vamos... e depois voltaremos um dia, cheios de recordações, com baús velhos para guardá-las.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

meia-noite

Para que me pegues ao colo e o mar seja o último sítio frio que sinta. Que as mãos não fujam mais do seu destino e tudo se adorne de algodão doce.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

marmelada com queijo

pois que a ausência não seja tanta, que a distância não nos separe, que cada vez que apetecer um sorriso e um beijo, te possa. não há nada a deitar para trás das costas, só há céus construídos com nuvens flamejantes da cor do fogo que arde ininterruptamente. há que apertar quando apetece, ir quando é tempo e dormir só nas horas vagas, entre nós. espero que estejas aqui amanhã, que não tenha que te deixar ir na maré e que seja dia de ficar.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

pequenos contos de cabeceira

Soube a história de uma menina que gostava de molhar os pés em água fria, sempre no pico do Inverno. Ouvi a história com atenção, através dos ouvidos de outra pessoa. Não era a mim que estava a ser contada, mas não pude evitar de me tornar numa pequena atenta receptora de tal conto.
A tal menina gostava de longo passeios descalços na areia fria de Dezembro, de criar pegadas que rapidamente seriam apagadas. O seu sorriso avivava-se com as vagas crescentes do mar. Quanto maior a onda, mais passos rápidos se apagavam da areia. O seu momento preferido era quando a onda ganhava, quando os seus passos não eram tão rápidos que conseguisse fugir e quando acabava por molhar os pés, os tornozelos e até as calças, arregaçadas até ao joelho. Era aí uma menina feliz, com as suas manchas de sal sem mal.