quarta-feira, 7 de julho de 2010

that is why I hold you near.

baixei o som aos hinos das noites mal dormidas por arrebatamento errado do coração, baixei a arma que tinha apontada um bocadinho mais à esquerda do centro do peito, colei os pedacinhos de unhas roídas e espantei as asas dos morcegos que me faziam sombra.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

tijolos constroem asas

Querida casa,

abandono-te hoje, com a insegurança dos passos. desculpa-me sair no meio da noite, com atitude de quem não tem coragem para assumir o que fez. tenho de ir, não é por não querer ficar em ti mas porque há mais sítios mais casas mais caras mais emoções que aqui, em ti, já não consigo sentir. é da protecção que fujo e me atiro para a invenção de novas horas, com a abertura para sofrer de novo o nervosismo do desconhecido. já me esqueci de todo o tempo que passei longe, não ficou marcado no meu corpo e pouco ficou no coração, porque aqui estou e tu, tudo apagas e tornas menos vivo. querida casa, não penses que não te sinto, sinto-te aqui, comigo, todos os dias e a todas as horas. mas sinto também que preciso da tua ausência, que o frio que faz lá fora far-me-á tão bem como o calor que me dás cá dentro. vou e voltarei, de certeza. porque volto sempre e tu sabes. e sabes também, que a minha fuga na noite, apenas se prende com o horário que não existe aqui. poderia sair ao meio dia, às 4 da tarde, às 11 da noite mas não, tenho mesmo de pegar nas malas e sair a meio da noite. porque as saídas pela madrugada são sempre mais dramáticas, mais lembradas, mais inesquecíveis e cheias de emoção. são também, histórias mais heroícas de contar, contos de capas que tapam a cabeça e ocultam a identidade, enquanto ela ainda procura o lugar onde quer ir e ser reconhecida. vou então. vejo-te dentro em breve, porque não conto ausentar-me por muito tempo, em tempo de rocha. até breve.

até breve. já volto.

domingo, 23 de maio de 2010

fora de horas

quando os dias não chegavam
e as noites eram imensas
sentava-me, minuto após minuto à beira da janela,
de pés descalços, pendurados ao vento.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

inevitável sarcasmo

porque se nós quisessemos, eram só mais dois dias de torturas, maus tratos e ironias entre nós. depois, abandonavamos o sarcasmo e a agressão e viveríamos entre flores e amores. mas não há rimas eternas, não há caminhos traçados a lápis de cor e cheiro a pêssego. não há nada, quando se escolhe assim. há pedras e subidas íngremes. mas talvez também um troféu lá em cima. quem sabe...

terça-feira, 18 de maio de 2010

ao som das campaínhas da música

queriamos nós que fosse sempre assim, de passos leves e pensamentos alegres. sentar-nos-íamos à sombra da mais frondosa árvore e ficaríamos ali sempre, de livro na mão, sono e sorrisos trocados. mas o mundo não é assim, é cruel e tira-nos à realidade, impede-nos de aproveitar, reduz o tempo cada vez mais e torna o claro em turvo. estraga tudo. o que ficou para trás e o que aí vem. e quando escolhe misturar as horas, brinca demais connosco e não permite que o sol brilhe entre as folhas. é sobre as saudades que me debruço, na impossibilidade de escolher os trechos de tempos que mais gosto e fazê-los puros e desprovidos de manchas.