quinta-feira, 21 de maio de 2009

querido diário


quando a peça é bem escolhida, quando o plano é bem delineado e as falas são perfeitamente encaixadas no guião

fingir torna-se fácil.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

como é doce a ironia do mundo

os tons do centro do mundo reflectem-se nesta película
agora reina o cheiro da luz que entra pela janela quando o despertador (não) toca
e a brisa das novas cores que se atrevem a espreitar

é um novo dia.é uma nova vida.


quinta-feira, 7 de maio de 2009

de pedaço em pedaço

Um dia,
pego nesta dose de saudades e espalho-a sobre ti,
diluo-a no teu cheiro e inspiro-te de seguida,
de um só trago,
sem deixar escapar nem um pedacinho.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

daqui

não queiras apagar-te daqui
a tua localização neste mapa é importante demais
para nos deixares sem orientação

domingo, 26 de abril de 2009

sob a paixão

dos pulos, aos pulos, a historia inimaginável de um futuro pretendido e inapetecido pelas fomes do estranho sentir.
ao nascer o dia, ela levantou-se da sua cama de lençois amachucados, de almofadas desmembradas e de corpos nús, em posição de total ausência de pudor, caminhou meio ensonada, de olhos semi-cerrados para o primeiro cigarro da manhã. acendeu-o, pegou em três laranjas, espremeu-as e sentou-se na bancada da cozinha, com o cigarro acesso numa mão e o copo de sumo na outra.
a madrugada levantou-se tb ela, para deixar brilhar um sol tímido, de meio aquecimento, que mordia a areia da mesma forma tímida que os amantes se aproximaram na noite anterior. não há velocidade quando dois corpos se atraem, o tempo pára nesse pudor que luta contra a tensão instalada e impossível de reprimir.
ouviu um som, olhou para trás e viu o segundo corpo, aquele que tinha deixado adormecido na cama, a dirigir-se a ela, soltando um longo bocejo de noite descansada em colo confortável. roubou-lhe o pouco que restava do 1º cigarro, debruçou-se sobre ela, beijando-lhe o pescoço, incendiou de novo a sua pele, arrepiando levemente como a brisa súbtil que subia do mar nessa manhã. o copo de sumo ficou por terminar mas cada onda que nascia lá fora, corria até à areia, onde se desenrolava ora feroz ora delicadamente, reflexo do tudo que se passava com eles. eles até ao fim, seguindo a vida de quem não pára, de quem não existe, do fim que é o começo.